• 23/11/2022

    SUPLEMENTAÇÃO E O CÂNCER DE PRÓSTATA

    Saúde

    O câncer de próstata é o tumor mais comum entre homens com mais de 50 anos e está entre as doenças crônicas não transmissíveis que mais afetam os idosos. É o segundo tipo de câncer de maior prevalência na população masculina.

    Ele é responsável por cerca de 10% de todas as mortes provocadas por câncer em pacientes do sexo masculino no Brasil, ficando atrás apenas do tumor de pulmão.

    Em sua fase inicial surge de forma silenciosa, às vezes assintomático, podendo apresentar-se como um crescimento benigno da próstata.  Porém, na fase avançada, na pior das hipóteses, caracteriza-se por infecção generalizada ou insuficiência renal. Alguns sintomas frequentes:

    • Micção frequente;

    • Fluxo urinário fraco ou interrompido;

    • Vontade de urinar frequentemente a noite (nictúria);

    • Sangue na urina ou no sêmen;

    • Disfunção erétil;

    • Dor no quadril, costas, coxas, ombros, ossos;

    • Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.

    Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estratégia para detecção precoce é o rastreamento. Os melhores métodos para a investigação são os Exames de Toque Retal e o Prostate-Specific Antigens (PSA).

    Apesar de haver controvérsias, o recomendado é que esse rastreamento seja feito a partir dos 50 anos e repetido anualmente. Para aqueles com maior predisposição, em caso de parentes de primeiro grau com histórico na família (pai e irmãos) ou para indivíduos negros, os exames estão indicados a partir dos 40 anos.

    Quando há alguma alteração no rastreamento, é necessária a realização de biópsia da próstata. Se o diagnóstico de câncer for confirmado, deve-se definir qual tratamento será instituído, o que dependerá do estágio da doença e das particularidades de cada paciente.

    Os fatores de risco geralmente não vêm isolados e podem ser um conjunto de fatores, sendo a idade e histórico familiar os mais comuns. Segue abaixo:

    • Idade: É extremamente raro abaixo dos 40 anos. A incidência começa a aumentar a partir dos 50 anos. Dois em cada três pacientes com essa doença têm mais que 65 anos quando recebem o diagnóstico.

    • Histórico familiar: Ter um parente de primeiro graucom diagnóstico de câncer de próstata aumenta duas vezes a probabilidade de desenvolver a doença. O risco é maior quando o parente afetado é um irmão ou pai.

    • Raça: Homens negros correm mais risco e tendem a desenvolver tumores mais agressivos. Estudos apontam também um consenso em relação as faixas de risco, sendo alta para negros norte-americanos, intermediária para brancos e baixa para japoneses.

    • Dieta: Sugere-se que dietas hipercalóricas, ricas em gorduras e pobres em fibras, frutas e vegetais aumentam o risco, porém estudos apontam que este fator isolado não seja suficiente para provocar o câncer de próstata.

    • Obesidade: É possível que homens obesos corram mais risco.

    • Fumo: A exposição ao cádmio, presente na fumaça do cigarro, também é apontada como um possível fator de risco para o câncer de próstata, uma vez que o cádmio de certa forma se opõe ao zinco, um elemento necessário a muitas das atividades do nosso corpo e já se constatou que a próstata de pacientes com câncer nesse órgão tem níveis de zinco menores do que os de outros homens.

    A prevenção do câncer de próstata é uma ação tomada para reduzir a chance de contrair a doença. Isto inclui a adoção de hábitos saudáveis como comer adequadamente, controlar o peso, beber com moderação, limitar o uso de açúcar e sal, não fumar, praticar exercícios físicos.

     A suplementação de micronutrientes, nutracêuticos e alimentos funcionais podem ter potencial para reduzir o risco, retardar a taxa de crescimento e metástase de uma doença maligna. Um exemplo seria a ingestão de tomate e seus derivados, por conter grandes quantidades de Licopeno, carotenoide precursor de Vitamina A, que parece diminuir em 35% os riscos de câncer.

    Outros nutracêuticos obtidos de alimentos seriam Resveratrol das uvas, Indol-3-carbinol presente principalmente no brócolis e couve-flor, suplementação com Ômega 3, ácido graxo não saturado de cadeia longa, em peixes. Consumo de fibras, Serenoa Repens, Semente de Abóbora, Quercetina, Coenzima Q10, estão entre as indicações.

    A complementação dietética com vitaminas também é abordada como forma de prevenção. Inclui-se entre elas o Zinco, Vitamina C, Vitamina D, Selênio e Vitamina E.

    É muito importante que homens façam os exames periódicos, uma vez que o câncer de próstata é silencioso e evolui sem ser notado. A única forma de garantir a cura é o diagnóstico precoce. Cuide-se! 

     

    Luana Pierosan
    Farmacêutica Bioquímica  |  CRF/SC 11453

     

     

    Fontes:

    Gomes, et al. Prostata Cancer Revision Rio de Janeiro: Cienc Saúde Coletiva; 2008.

    Instituto Nacional do Câncer

    Kruger, et al. Conhecimento e Atitudes sobre Câncer de Próstata no Brasil. Passo Fundo: Rev. Bras. Cancerol; 2018

    Marques, et al. Nutrição e Carcinoma da Próstata. Porto: Acta Urológica; 2003.

    Sociedade Brasileira de Urologia

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